terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"O homem nas páginas de um livro"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

Quando ele chega em casa, os acentos lhe esperam
Ao acordar os artigos lhe saúdam
Na rua as frases te perseguem
No trabalho, os ditongos te culpam
Hiatos chatos não vão embora
Artigos definidos acordam ao seu lado
Interpretações dependem da sintaxe da vida
Sílabas tônicas são seus melhores amigos
Livros caem a sua frente em momentos de lucidez
Advérbios explicam suas incoerências
Fonemas não perdoam o silêncio
Os predicativos do inimigo são implacáveis
Sem chance para os pontos de exclamação
Crases são capazes de discordar verbalmente
Mas as tônicas acalmam brigas
A saudade parece uma analogia
Que conjuga a terceira pessoa
Procura e encontra o substantivo
Interrompe um pleonasmo no meio do caminho
O pronome é oculto quando se esconde
É pejorativo julgar o que não se sabe
É possessivo o homem que nunca aparece
Ser é a abreviação de estar em liberdade
Os dias são poderosas elipses
A porta da sabedoria é paroxítona
Escolha imperativa de seguir em frente
Na melhor frase da sua vida
Sim para todas as sílabas
Ninguém decide qual a hipérbole da alma
O sorriso anuncia a redundância da paz
Retórica inútil de vez em quando
Suas respostas escondem morfologias
Mas a poesia é direta e intransitiva
Os versos têm o poder analisar a conjugação da idéia
Mensagens imperativas diante da interrogação
Dissertam sobre palavras perdidas no espaço
Sufixos da minha intenção
Errar é tão humano quanto um antônimo
Os adjetivos podem vir de uma criança
Uma criança aparece em um parágrafo
Mas não compreende um prefácio
Solta o verbo e mostra a língua
A conjunção é lógica, mas indefinida
O rosto é um plural de condições
Um objeto explica o abstrato da matéria
Que no espelho se chama heterônimo
O sujeito da oração pode ser você


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