segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

"Todos"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

O povo, somos nós
Que habitamos essa cidade
Cidade pedra, cidade lua
Há tanta terra nessa Terra
Terra viva, natureza morta
E os que correm para comer
Comem com os olhos
Sem se satisfazer
Com os olhos choram sem ter o que comer
E os que vivem nessa cidade
Sem ao menos conhecer os que querem essa cidade
Cidade tarde, violência pura
E os desabrigados
Excesso de água, dentro de casa
Água, água, quero o fogo
Há tantas cidades em um país
Um só país
Alguma igualdade?
Há tantos países nessa Terra
Muito mais água do que terra
Falta muita terra para se morar, aqui
Terra santa, Terra maldita
Criam ideais acima da terra
Existem corpos abaixo dela
Surgem idéias nesse país
Países e pais são todos iguais
E os ideais são todos iguais
Iguais ao lixo dessa cidade
Estado do luxo em estado de pobreza
Sobra lugar abaixo da terra
E os bichos vivem nessa cidade
Bichos que pensam, bichos que compram
Há tanto bicho nesse país
E os bichos fazem parte do lixo dessa cidade
O povo, somos nós
E o respeito a essa terra
Terra verde, terra solo
“A terra é azul!”
Não há mais carne para se comer
E há quem coma sem prazer
Já não há mais carne abaixo da terra
Carne podre, carne crua, carne viva
Vivem chorando nessa cidade
Ainda sentem fome nessa cidade
Há tantos planetas nesse Universo
Um só planeta chamado Terra
Muito mais terra fora daqui
E um só Universo?
A água é fria fora daqui
Há tanta água nesse país
Todos vivem nesse país
Todos pensam nessa Terra
Todos choram nessa Terra
Ninguém enxerga nessa cidade

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os olhos da arte


Os olhos da arte:
"A emoção e a arte aqui expressadas, sentidas e criadas, através das fotos, tiradas e produzidas por mim. Mais do que uma imagem, está aqui uma emoção, um momento, um sentimento visceral. A liberdade permitida e atingida pelo meu olhar, e pela câmera nas minhas mãos."

domingo, 23 de agosto de 2009

"Pessoas"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

Pessoas são impacientes
Não vejo a hora de chegar
Eu sou impaciente
Pessoas me vêem chegar

Pessoas são queridas
Querem sempre o mais vulgar
Estou em todos os lugares
Não tenho hora pra voltar

Pessoas são pessoas
Pessoalmente são estranhas
Diferentes no pensar
Mas de perto são iguais

Pessoas sem razão
Com vontade e intenção
Mas nem sempre isso adianta
Continuam sem razão

Pessoas vêm e vão
Algumas vêm e ficam
Outras deitam e não se levantam
Apresse-se, vá embora

Pessoas matam pessoas
Por motivos mais que banais
Inveja, ódio e muita dor
Algumas mortas de fome

Pessoas desprezíveis
De muitas quero a distância
Preconceito, insensatez
Ignorância e muito mais

Pessoas têm prazer
Uma em cima da outra
Amam, brigam, se divertem
Olhe bem, são duas pessoas !

Pessoas juntas, multidão
Concentração de desavenças
Nas cores e nas crenças

Pessoas vivas, pensamentos
Para as mortas, monumentos

Pessoas, sempre pessoas
Ao seu lado ou bem longe
Nem importa de onde veio
Muito menos até quando vai

Pessoas sabem demais
Ídolos de outras pessoas
Pessoas sempre vão
Vão com pressa e sem razão

Pessoas no escuro
Criança ou já adulto
No fundo somos pessoas
Pessoas não vivem muito

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Voando a madrugada"



autor: Her Filho (Direitos Registrados)

Sobrevoando a rua deserta
Sobrevoando na insônia
Frio que me joga longe
No ar da rua deserta
Voando e avistando luz
De mais alguém andando
No carro distante ligado
Na rua não tão deserta
Sobrevoando depois da solidão
Frio que me acompanha
Me aquece na insônia
Tem mais alguém andando
Sobrevoando comigo
Atrás do som distante
Que vem da rua deserta

domingo, 5 de julho de 2009

"Uma peça suja"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

A paz que estava no meu coração foge dos meus olhos quando vejo aquele cidadão com a arma na mão acabando com a minha ilusão de que a vida agora será justa com aqueles que tentam seguir o caminho do bem, e nos olhos dele reside o ódio e a dor de quem não sabe o que é a dor, somente sabe causar a dor.
A dor de quem não sabe o que é dor, somente sabe causar a dor.

O medo que um dia fez parte de mim agora foge pelos meus olhos quando vejo aquele homem escondido atrás da sua roupa cinza, procurando se proteger atrás de uma arma, um gatilho sujo, uma peça de aço podre, um rosto sujo pela ignorância e a vergonha de alguém que não sabe dizer felicidade.
A dor de quem não sabe o que é dor, somente sabe causar a dor.

A minha compaixão desaparece diante de uma pessoa que não pode olhar para o seu próprio filho e narrar a sua própria vida, pois está repleta de marcas estranhas e sórdidas, e assim se humilha diante de si mesmo no espelho escondido no banheiro, mas não mostra a verdadeira face de quem não tem coragem de sorrir, de quem não tem porque sorrir, e assim assina a história dramática da sua rápida e ineficiente passagem por aqui.
A dor de quem não sabe o que é dor, somente sabe causar a dor.

Suaves são os sinos que tocam enquanto, no silencio da noite, aparecem balas perdidas vindas das mais podres armas, carregadas pelas mais sujas mãos, dos mais sujos homens numa imensa sujeira, chamada sociedade. Intensos serão os gritos de misericórdia que sua alma dará quando, diante de um implacável julgamento, vier a hora da verdade. O dia ao qual estarei descansando e saboreando a paz que eu sempre busquei e fiz de mim mesmo e de quem estava ao meu lado no meu coração.
A dor de quem não sabe o que é dor, somente sabe causar a dor.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Bonita e inocente"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

Nasce uma lágrima em mim, um grito
A vez da verdade que nunca cala
Morre uma paixão inocente
Se vai uma lembrança bonita
Nasce uma decepção, uma opção
A vez de ser quem sempre sou
Encontrar alguém que nunca se cala
A pessoa bonita e inocente
Não me atirem pedras sem saber
Não darei a outra face sem lutar
Nasce a queda da pilastra do amor
A vez de a mentira fugir de nós
Morre uma dúvida temida
Morre o medo de se machucar
Cessa o nado contra a maré
Nasce uma força pela felicidade
Vou me banhar no mar
Esquecer-me da beleza e inocência
Vou descansar na maré
Na sombra da maior árvore
Na queda das flores e das frutas
Na queda da pilastra do amor.

sábado, 7 de março de 2009

"O parto e a morte"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

Se vou falar do tempo, então esqueça o que eu lhe disse ontem
O que passou não volta
O que vem agora já virou passado em alguns instantes
Alguns dias são poucos para a alma
Minutos não são nada para a vida
Em poucas horas a saudade é absoluta
A alma existe há milhões de anos
Assim também é a natureza
A certeza de estar vivo é soberana
Porque o mundo não tem idade
O tamanho da alma é intocável
Esqueça o tempo e saiba que a luz da vida é eterna
O que aconteceu ontem não foi nada
O que te fez parar já não existe mais
Olhe em frente, o Sol e a Lua estão lá
Olhe ao redor, o amor e a paz estão em você
Respire o ar que ainda há por aqui
Beije a boca que ainda lhe quer
Ame o irmão que ainda é seu
A história será mais longa do que a vida
O parto e a morte são idênticos
A pressa se vai lentamente
Aqui nasce o poder do tempo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Palavras na Água

foto por: Her Filho

Sorriso
Luz
Amor
Alegria
Carinho
Compreensão
Dor
Força
Justiça
Gratidão
Liberdade
Sexo
Energia
Vitória
Humildade
Prosperidade
Água
Mar
Você
Fotografia
Her
Noite
Verdade
Música
Novo
Cinema
Amizade
Beijo
Palavras
Esperança
Arquiteto
Palco
Consciência
Filho
Saúde
Poder
Eu
Paixão
Certeza
Joker
Vida
Paciência
Confiança
Alma
Coração
Amor
Amor
Amor
Amor
Amor
...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"O homem nas páginas de um livro"

foto por: Her Filho

autor: Her Filho (Direitos Registrados)

Quando ele chega em casa, os acentos lhe esperam
Ao acordar os artigos lhe saúdam
Na rua as frases te perseguem
No trabalho, os ditongos te culpam
Hiatos chatos não vão embora
Artigos definidos acordam ao seu lado
Interpretações dependem da sintaxe da vida
Sílabas tônicas são seus melhores amigos
Livros caem a sua frente em momentos de lucidez
Advérbios explicam suas incoerências
Fonemas não perdoam o silêncio
Os predicativos do inimigo são implacáveis
Sem chance para os pontos de exclamação
Crases são capazes de discordar verbalmente
Mas as tônicas acalmam brigas
A saudade parece uma analogia
Que conjuga a terceira pessoa
Procura e encontra o substantivo
Interrompe um pleonasmo no meio do caminho
O pronome é oculto quando se esconde
É pejorativo julgar o que não se sabe
É possessivo o homem que nunca aparece
Ser é a abreviação de estar em liberdade
Os dias são poderosas elipses
A porta da sabedoria é paroxítona
Escolha imperativa de seguir em frente
Na melhor frase da sua vida
Sim para todas as sílabas
Ninguém decide qual a hipérbole da alma
O sorriso anuncia a redundância da paz
Retórica inútil de vez em quando
Suas respostas escondem morfologias
Mas a poesia é direta e intransitiva
Os versos têm o poder analisar a conjugação da idéia
Mensagens imperativas diante da interrogação
Dissertam sobre palavras perdidas no espaço
Sufixos da minha intenção
Errar é tão humano quanto um antônimo
Os adjetivos podem vir de uma criança
Uma criança aparece em um parágrafo
Mas não compreende um prefácio
Solta o verbo e mostra a língua
A conjunção é lógica, mas indefinida
O rosto é um plural de condições
Um objeto explica o abstrato da matéria
Que no espelho se chama heterônimo
O sujeito da oração pode ser você